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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A festa que não aconteceu

“Responsáveis pela homenagem aos Destaques Culturais de 2012 liberam entrada de manifestantes e festa termina com debate sobre o setor cultural”

Esta poderia ser uma gravata nos jornais ou portais de hoje, não é? Poderia….

Presenciei falas e reações dos dois lados, dentro e fora da Liga. O que posso resumir é o seguinte: Todos que foram votados ou escolhidos possuem seus méritos, seja na lista “popular” ou na “homenagem formal”. De um lado, gente com muita razão em reclamar e, do outro, pessoas de parabéns por iniciarem alguma atividade deste gênero no setor cultural.

Cultura na rua

O grande problema disso tudo foi a falta de transparência e planejamento na organização da enquete/evento. A Internet pode ser um tiro no pé se não for bem utilizada. Na minha opinião, ainda é necessário achar um meio mais democrático e eficaz para promover este tipo de homenagem, se ela realmente for necessária. Algo que não leve em consideração a opinião de jornalistas, algo que envolva diretamente quem aprecia e frequenta estas manifestações artísticas.

Mesmo que fossem os 20 mais votados pela Internet, será que este número de votos significaria realmente a visão da população que aprecia a arte? Pedir voto para sua atividade cultural não é algo que, necessariamente, reflete a adesão do público eleitor ao setor cultural. No entanto, estes foram os termos apresentados para a enquete, então as pessoas que buscaram votos e não entraram na lista estão com toda razão em reclamar.

Fiquei pensando, será que não existiram outros modos de exibir a opinião popular? Talvez se houvesse uma lista, com categorias, por exemplo, em que todos os grupos de teatros interessados em participar do Destaque Cultural se inscrevessem para ganhar fichas numeradas (para evitar fraudes), e estas fichas seriam entregues ao público, presente nas peças apresentadas no decorrer do ano. Desta forma, o público que REALMENTE aprecia a tal manifestação artística poderia dar uma nota ou algo do gênero. Não sei ao certo, este é só um exemplo, que funciona em outras cidades.

Mas, para algo deste porte funcionar, precisaríamos de uma eficiente Gestão Cultural, algo que ainda não temos. Se você ligar para a Fundação Cultural e perguntar quantos grupos de teatro temos na cidade, quantas bandas existem, quantos artísticas plásticos estão em atividade, certamente não haverá uma informação centralizada, e esta ainda é a nossa maior dificuldade. Tudo é desenvolvido de forma individual nesta cidade e quando vemos uma simples enquete tomando as proporções que tomou, é sinal de que o assunto está caindo de maduro.

O setor público “fez sua parte”, quando notou a oportunidade de aparecer tratou de apoiar o evento. Apoio que, na visão de muitos, culminou em homenagens como a do “30º Festival de Dança de Joinville”. Em geral, o problema virou uma bola de neve, e a organização do evento perdeu a chance de “entrar para a história” ao não liberar a entrada para os manifestantes. Digo liberar totalmente mesmo, para todos participarem de uma grande festa e debate, não colocando um ou dois representantes do movimento para apresentarem suas críticas ao final das homenagens, como um favor.

Enfim, se eu tiver que escolher um lado no debate, escolheria o lado dos artistas que estavam na rua, justamente por entender e concordar com as críticas. Compreendo também o lado da organização do evento, que fui prejudicada até por jornalistas da própria cidade que divulgaram informações distorcidas sobre os métodos de votação.

Pelo menos a comunidade está debatendo o assunto e, embora ainda houvesse um monte de pangaré sem saber o que a galera da rua reivindicava, acredito que o recado foi dado na noite de ontem. Parabéns aos artistas votados, aos artistas homenageados e, principalmente, ao debate promovido, que espero que não morra aqui.


Clique aqui para ler a postagem original, com comentários e debate dos amigos no Facebook.