Subscribe to RSS Feed

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vá brincar

- Vai filho, ela está te chamando, vai brincar com ela
- Seja educado, como o pai sempre te ensinou e não joga a bola forte

(Como ela é bonita, parece até filha da professora)
(Será mesmo que ela vai querer jogar comigo
?)
(Como ele é bobo)
(Olha este sorriso, de orelha a orelha,
parece que nunca conversou com uma menina antes)
(Sempre fui assim, transparente, até demais)

(Vou deixar ela ganhar desta vez, pra não ficar brava comigo)
(Mas, se eu deixar, será que ela vai perceber?)
(Talvez ela fique mais brava ainda. Droga!)

- Calma filho, o pai vai buscar a bola para vocês, fiquem aqui.
(Se na minha época percebesse o quão ruim era ser transparente...)
(Talvez, hoje, estivesse mais completo, não é? )
- Aqui filho, deixa eu pai te contar um segredo, apenas brinque com ela...
- Já percebi este teu sorriso, não seja tão bobão.

- Ahh pai, nada ver. Só achei ela bonita.
(Droga! Como ele sabe?)

(Será que é de família falar com os gestos?)
(Ele demonstra mais gesticulando, sorrindo e olhando do que se ficasse horas se declarando)
(Ou será que eu estou vendo algo que não existe? Afinal, ele é só uma criança)

(Vou dizer que ela joga bem, melhor do que eu)
(Não, não... Vou dizer que ela é a pessoa
mais legal que já jogou comigo)
(Ah, vou só perguntar se amanhã ela vem aqui também...)

(Mudou o olhar. O que deve ter acontecido?)
(Mais uma decepção?)
- O que foi filho?

- Ela disse que não queria mais brincar
- Não sei por quê
- E disse que também não virá amanhã

- E por que você está chateado?
- Tem tanta criança para brincar aqui...

(Droga, vou ter que falar.)
- Foi por que achei ela bonita.
- A menina mais bonita que já vi até hoje, pai.

(E agora, eu fico triste junto ou dou uma de pai durão?)
- Filho, ela só queria brincar. Tem tantas meninas por ai, não se preocupe.

- Cada dia eu vou ter que brincar com uma menina diferente?
- Não é justo.
- Eu sempre faço de conta que estou perdendo
pra elas ficarem felizes.

- Talvez este seja o problema, filho.
- Você tem que brincar de verdade,
não ficar querendo agradar.

- Mas eu não faço de propósito, só quero ser gentil.
- Igual a mãe ensinou.

- Você tem que ser gentil com todo mundo, está certo.
- Mas, não espere que sejam assim com você.

- Por que não?


(Poisé, por que não?)
- Por que é assim que funciona.
(Ele está certo. Mas, afinal de contas, por quê?)

- Ai, não entendo isso
- Pai, vou no balanço, não quero mais falar


(Teimoso, só podia ser taurino)
(Mais parecidos do que eu imaginava)
(Até nossa roupa, hoje, está igual)

(Ele não entende)

(Ele não entende)

(Talvez daqui alguns anos)

(Talvez se tivesse a minha idade)

(Gostaria de ter esta ingenuidade novamente)

(Queria ser mais velho)



(Só não queria...)
(Estar neste parque sozinho)

domingo, 15 de setembro de 2013

Sobre a Cachaçada Coletiva, a tentativa de domesticação e a istâmitixe.

Este não é nenhum texto oficial, ou carta em nome do público que esteve no Parque das Águas hoje, é apenas uma reflexão minha, mas gostaria de dividir alguns pontos com vocês. Tem sido comum estas revoltas populares se intensificarem nas redes, não sei se é pela facilidade de organizar estes atos ou pela possibilidade de qualquer pessoa  emitir opiniões sem refletir profundamente sobre o fato.

A questão é que, mais uma vez, o número de confirmados ou o debate das redes não se estendeu para a praça. Particularmente, esperei por um movimento mais forte, mas no final da tarde a praça ficou cheia e o evento acabou contando com um bom público, de umas 300 pessoas, acredito.  Não houve gritos de guerra, debates, nem nada do gênero. As pessoas simplesmente foram ao local, beberam e conversaram sobre qualquer coisa.  Vários jovens, vários pais de família e várias crianças. Isso mesmo, várias famílias compareceram ao evento “Cachaçada Coletiva”. Por este motivo chega a ser hilário imaginar que daqui alguns dias estas crianças verão seus pais, responsáveis ou amigos como infratores. Percebem?  Acho que já deu para entender que o problema não é o consumo, não é?

Na verdade, muita gente aqui já levantou a questão que, certamente, esconde-se por de baixo desta lei maluca: a da segregação social. Os primeiros atingidos por esta lei serão os moradores de rua, que são menos perigosos que alguns policiais que andam por ai. A prática de “higienização” se camufla nestas ações, mas fica evidente quando percebemos que eventos como a istâmitixi (sugeriram para errarmos a grafia propositalmente) continuarão ocorrendo normalmente, assim como o Carnaval. Ou seja, é justamente a classe que não frequenta estas festas alemãs da Via Gastronômica que será atingida pela lei. Ah, ok, ainda teremos que a possibilidade de beber na rua durante o Carnaval, para não ter motivo de “reclamar de tudo”.

Bom, voltando ao encontro de hoje. Acredito que, mesmo sem gritos ou debates, o evento foi muito significativo. As pessoas simplesmente fizeram aquilo que estão reivindicando. Seria bacana que todos que debatem a gratuidade nos transporte coletivo pulassem as catracas, ou se todos que criticam nosso sistema político não votassem (por exemplo). Um número grande de pessoas lutando por algo socialmente relevante é sempre útil. Enfim, às vezes as atitudes mais simples podem ser tão significativas quanto grandes manifestações, como as de junho. Seria ideal se as pessoas continuassem fazendo isso; Se no próximo domingo estivessem todos ali novamente ou que, na próxima citação do projeto na câmara, as pessoas também estivessem lá.

O fato que me preocupa é que, ao invés disso, muitas pessoas já estavam escondendo suas bebidas e temendo as possíveis atitudes dos policiais que estavam ali, no Parque das Águas. Vale salientar que eu nunca vi os policiais naquela região durante eventos como o MAJ Sounds. Ficou claro que a presença deles refletia a presença de uma lei que ainda não foi nem aprovada. Os policiais argumentaram para as primeiras pessoas que chegaram ao “evento” que “já está proibido consumir bebidas alcóolicas em lugares públicos” (policiais bem desinformados, inclusive). Ou seja, o receio é tanto que a lei nem está valendo ainda, mas já há pessoas respondendo “pacificamente”.

Bom, há tantas coisas que podemos refletir, podemos falar que esta é uma tentativa clara de forçar os as pessoas mais alternativas a ficarem em casa. As tribos que vemos nas praças ou nas faculdades também serão outras atingidas diretamente pela lei. Sou um destes personagens que frequentou muito estas praças. Bebemos, conversamos, rimos, choramos, enfim, interagimos socialmente. Este projeto de lei elimina a possibilidade desta classe encontrar os amigos, juntar moedas e comprar uma cerveja, um vinho, ou uma cachaça daquelas mais simples mesmo. 

Não quero teorizar nada disso aqui, mas durante minha monografia da graduação conheci um autor muito interessante, o Michel Maffesoli e cheguei a relacionar o uso do crack no nosso ‘Centro Urbano’ aos seus estudos sobre “dispositivos de sociabilidade”. Não estou defendendo o uso do crack, mas estou dizendo que o momento do consumo do crack é também um momento em que aquele grupo de pessoas se relaciona e se comunica de alguma forma (mas este não é o assunto aqui, quem quiser saber mais sobre isso, peça-me referências que eu passo depois). O fato é que quando a polícia sai batendo nos moradores de rua e usuários de drogas por causa do crack a população faz vista grosa. Agora, o assunto envolve uma “outra classe” e uma droga “tolerável”. Você que aceitava as atitudes da polícia em relação aos moradores de rua e usuários de crack agora precisa tomar cuidado, pois beber em uma praça também poderá ser uma infração e, dependendo do ânimo dos policiais, você poderá até levar uns tapas.

Percebem? Enquanto as leis não mexem diretamente com nossas comunidades ou costumes, fazemos vistas grossas. A bebida será mais uma desculpa para a polícia “dar gerais” em afrodescentes (sejam jogadores do JEC ou não), em moradores de rua, em jovens, em roqueiros, em rappers e em toda ou qualquer tribo que, de alguma maneira, incomoda esta classe pseudoalemã-cristã da nossa “Manchester Catarinense”.

Em entrevista ao jornal Notícias do Dia o vereador James Schroeder disse que este tipo de conduta, o de beber em espaços públicos, espanta a população que não possuem este mesmo hábito. Acredito que este vereador não está muito acostumado a frequentar espaços públicos. Aliás, quantos vereadores vemos no MAJ Sounds, no Parque das Águas,  no Parque da Cidade, e assim por diante? Espero que o “vereador” veja as fotos da “Cachaçada Coletiva” e perceba o grande número de crianças que também estavam no local, o que demonstra claramente que o problema não é o consumo, mas sim a consciência de cada cidadão.

Bom, de uma forma geral este debate é muito intenso e complexo. Podemos falar de Foucault, de Mafesolli, de Marx, das consequências destas políticas de “higienização/segregação social” entre muitos outros pontos que não podem se resumir neste texto. Por isso espero que o encontro de hoje represente alguma reflexão, algum foco de debate que possa ser alimentado nas próximas semanas, mostrando que este projeto de lei do James não tem nada de “inocente”. Trata-se de mais uma ferramenta de coação. Se o projeto persistir e realmente virar uma lei, proponho, assim como alguns amigos já comentaram aqui na rede, que os espaços “autorizados” também sejam ocupados. Que na próxima istâmitixe o pessoal que, por ventura, não possa mais beber em praças pegue seu Velho Barreiro, seu Maracujá Joinville e ocupe a Via Gastronômica. Adoraria ver os universitários pé rapados (me incluo nesta), a galera da periferia, os andarilhos, moradores de rua, mendigos e a população como um todo participando desta festa dita “tradicional”. Enfim, qual vai ser James, vocês preferem a gente no meio da elite, é isso? Cuidado, a tentativa de vocês de nos segregarem pode se tornar um tiro no pé.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sou um problema

Sou um problema
Um problema eternamente apaixonado
Por tudo que me traz ainda mais problemas
Porque sou o conflito em pessoa
E uma pessoa que não vive sem conflitos

domingo, 25 de agosto de 2013

Escolarizando o Mundo

Outro documentário excepcional: Escolarizando o Mundo
Indicado pelo Ahlan Dias.

Fico me perguntando se ainda podemos aproveitar as atuais estruturas físicas das nossas escolas para promover uma real troca de conhecimentos entre estas comunidades e pessoas tão ímpares. Comunidades com diferentes formas de enxergar e lidar com a terra, com os bens naturais, com a vida de uma forma geral. Sempre tive um pé atrás com as instituições educacionais e, cada vez mais, percebo o quanto somos introduzidos em um mundo do qual não fazemos parte.

Educar é um termo que vem do latim educare, que significa literalmente "conduzir para fora", ou mesmo, preparar o indivíduo para o mundo. E é realmente isso que nos ocorre diariamente e não nos damos conta. Somos preparados para viver algo externo à nossa cultura. Somos preparados para esquecermo-nos da onde viemos.

Neste exato momento minha cabeça está embaralhada, terei que refletir mais sobre estes últimos documentários. Já no início do filme, a colocação de uma especialista me fez lembrar a minha época de Tupy e da própria forma em que a escola surgiu: "Havia uma elite que queria treinar pessoas para cumprirem suas necessidades." (O início da chamada "educação").

As provocações positivas do filme são decorrentes: "Quem realmente se beneficia quando todas as crianças do mundo são educadas da mesma maneira?"; "A bandeira americana não foi fincada em solo estrangeiro para adquirir mais território, mas sim para o bem da humanidade".

E as reflexões não datam apenas do início deste processo "educacional", mas também de fatos bem contemporâneos, como a exaustiva tentativa dos governos de "salvarem a economia" impulsionando o consumo ou obedecendo a padrões mercadológicos dos Bancos Mundiais, como ocorre até no projeto "Educação para Todos".

Enfim, ao mesmo tempo em que este documentário nos abre a mente, ele nos coloca nas costas um fardo absurdo de desânimo. O debate propõe preservar as tradições culturais e os cuidados com a preservação da terra, mas também de ponderar até onde nossa economia e ciência tem relevância. Se por um lado temos uma medicina em pleno avanço, por outro temos doenças que nós mesmos criamos em decorrência da nossa economia. Em termos educacionais, o que podemos fazer? Ainda temos salvação? Não no sentido exotérico, no sentido físico mesmo. Será que ainda podemos salvar o ser humano, suas tradições, seus cuidados com a terra? Podemos começar agora? De que maneira? O que eu, Marcus Carvalheiro, posso fazer a partir deste exato momento?

As alternativas são tantas, mas não sei por onde começar. Tenho medo de olhar pra trás e ver que já se passou uma vida e não consegui achar respostas para nenhuma destas perguntas. Preciso saber de uma vez por todas qual minha (nossas?) função nisso tudo e em que posso colaborar.

http://www.youtube.com/watch?v=6t_HN95-Urs

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Você não é

Você não é quem pensa ser
Você não tem cor nem religião
Não tem estilo nem pátria

A mídia é tua família
Você veste o suor dos outros
Come o coração dos outros
E deseja o que é dos outros

Você não é quem pensa ser
O computador é sua escola
Pornografia, violência e sangue
Sangue, Sangue

A mídia é tua família
E você não sabe o que é amar
O único sentimento aflorado
É o ódio da competição

Quando você entender
Que a vida é mais do que a linha de produção
As correntes serão quebradas e você perceberá

Que não temos cor, pátria ou religião
Somos todos iguais, somos irmãos

Filhos da mesma mãe

Inimigos do mesmo  pai.

Meu universo está em seus olhos

Gostaria de ter te conhecido em outra época
De ter tocado em seu rosto em outro momento
De ter limpado minha alma antes de dividi-la com você
Eu contaminei você

Eu nasci no esgoto e nunca serei imparcial
Meu coração tem farpas, pregos, crueldade e egoísmo
Aprendi com migalhas e demorei para entender
Que meu universo está em seus olhos

Refrão4x
Meu, meu universo está nos seus olhos, está nos seus olhos!
Meu, meu universo está nos seus olhos, está nos seus olhos!

Pausa (caixa clara)
Peço perdão/ Peço perdão/ Peço perdão/
Com gratidão/ Com gratidão/ Com gratidão/

Pausa (caixa clara/flan)
Prefiro estar morto/ Prefiro estar morto/

Refrão4x
Meu, meu universo está nos seus olhos, está nos seus olhos!Meu, meu universo está nos seus olhos, está nos seus olhos!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nada contra Smashing Pumpkins

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Obrigado.

[28/04/2013]

Vou falar a real, durante o dia eu pensei em postar algo do tipo: "de aniversário eu gostaria de um emprego", mas querem saber? Não sou eu que to perdendo oportunidades. Os veículos de comunicação da região é que não estão preparados para acolher profissionais como nós. Esta reflexão não é uma demonstração de "salto alto", é apenas uma maneira de tentar não me deprimir por setores da nossa sociedade que não merecem toda esta pagação de pau.

Querem saber de outra coisa? Meus amigos e minha família estiveram comigo hoje, e isso basta. Chega de ficar chateado por besteira. Meus vídeos não são os melhores, meus textos não são os mais coerentes e minhas fotos não merecem capas, mas eu ainda amo o que faço. Ainda tenho a música, os movimentos sociais, o Coletivo e muita vontade guardada. Se um dia surgir uma grande oportunidade, vou abraçar, sem dúvida, mas vou abraçar mantendo meu perfil. Não vou fingir ser quem não sou, baixar a cabaça e dizer "sim" para tudo para ter uma carteira assinada.

Minha vida é uma bela colcha de retalhos, feita por vocês, e todos os dias durmo coberto com ela.

Obrigado amigos e família.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Zara, a exploradora, deve inaugurar loja em Joinville

Li na coluna do Loetz que a "Zara deve inaugurar em Joinville na primeira semana de maio"

Então, vale lembrar que a empresa foi suspensa do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo e foi acusada de vender roupas produzidas por trabalho escravo na Argentina. Os brasileiros devem lembrar da Zara no programa A Liga, de 2011.


Zara é suspensa de pacto contra trabalho escravo por discordar da “lista suja”
40
(http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/08/23/zara-e-suspensa-de-pacto-contra-trabalho-escravo-por-discordar-da-lista-suja/)

Zara é investigada por trabalho escravo na Argentina
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2013/04/04/zara-e-investigada-por-trabalho-escravo-na-argentina.htm

A LIGA - Trabalho escravo 16.08.2011
http://www.youtube.com/watch?v=SXdxHcJ3o3Y




Zara deve inaugurar em Joinville na primeira semana de maio
http://wp.clicrbs.com.br/loetz/2013/04/23/zara-deve-inaugurar-em-joinville-na-primeira-semana-de-maio/?topo=84,2,18,,,84

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Momento

Vamos chegando ao momento em que começamos a cansar daqueles que se dizem seus amigos, mas não lhe abrem as portas para dividir alegrias.

Também chegamos ao momento em que compreendemos que jornalista bom é o jornalista que sabe dizer "sim", não importa se ele chega atrasado na redação todo dia, ou se em seu debate (assim como seu texto) os tomates estão no lugar das barras de ouro e não na cabeça do Feliciano.

É até preferível a falta de posição política, a falta de pensamento crítico e a falta de compaixão. Este também é o momento em que você descobre que a vida é muito mais amarga do que lhe contaram nos primeiros dias de faculdade.

Momento em que você ouve sua ex-vizinha dizer: "Aquela mulher é uma nega ruim. Agora estou numa casa boa, de gente Italiana".

Momento que você lamenta ter conhecido Marx.

Momento que você tenta criar uma agenda e descobre que 90% das tuas tarefas possuem alguma relação com associações, movimentos sociais, atividades culturais e nenhum retorno financeiro.

Momento que você lamenta não ser um crente ou católico fervoroso, pois seria muito mais fácil culpar algum demônio e acreditar que deus possa resolver seus problemas.

Momento em que você lembra que precisa acordar cedo, mas o sono não vem. Não vem porque, na verdade, você tem medo de ver os dias passarem. Tem medo de envelhecer. Tem medo de não conseguir mudar a sociedade em que está inserido. Tem medo de não criar uma história marcante ou de não ser importante o suficiente. Medo de não materializar tudo o que sua mente produz. Medo de não ser compreendido e de não compreender o quanto deveria. De não ser o que as pessoas esperam que você seja. De não ser você mesmo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Desabafo

Se você não puder me ajudar, sente-se ao meu lado e chore comigo.
Será mais confortante que um abraço e mais delicado que um beijo.

Sabem, gosto de desabafar aqui na Internet, postar imagens, vídeos e músicas nas redes sociais para tentar expor um pouco das minhas frustrações, mas a verdade é que nem isso eu consigo fazer corretamente. Eu gostaria de, pelo menos, ser organizado para escrever frequentemente em  um blog, ou para postar vídeos no youtube, mas este não sou eu. 


Então, afinal, quem sou eu?

Sou um cara rodeado de pessoas e, ao mesmo tempo, completamente sozinho. Tenho irmãs e uma mãe que se preocupam muito comigo e que me amam muito. Com certeza, se não fossem elas, eu já não estaria mais aqui não. É, aqui, no planeta terra mesmo. Não vejo muitos motivos para estar aqui, detesto-me como ser humano. 

Mas, voltando, quem sou eu? Sou um cara que no ensino fundamental sonhava em ser jogador de futebol. Até a oitava série eu tentei ser um bom goleiro, mas não sei, nunca consegui ter uma boa "reposição de bola", aliás, mesmo se eu fosse um boa promessa no esporte, o destino não deixaria que eu continuasse no ramo. Torci o tornozelo, peguei catapora e quebrei a patela do joelho esquerdo antes de alguns campeonatos. É, sempre antes de algum campeonato eu me quebrava. 

No ensino médio cheguei passei a imaginar como seria minha vida profissional e resolvi cursar Automação Industrial - grande burrada, já que nunca me dei bem com números. Foi no ensino médio que tive meu primeiro contato com a sociologia, a filosofia e coisas do gênero. Ingressei em uma vertente política do Partido dos Trabalhadores e aprendi muito sobre o nosso sistema. Acho que foi a época em que mais enriqueci como ser humano. 

Foi o período onde também fiz algumas amizades sinceras, onde eu sentava lado a lado de outros jovens que vinham de famílias importantes, ou não. A Tupy sempre foi um espaço plural. Alunos bolsistas da rede municipal e filhos de donos de grandes empresas da região estudando na mesma sala. A juventude é uma coisa linda mesmo, sem preconceito, comíamos pão com mortadela no almoço, alguns porque não tinham dinheiro para um almoço de verdade, como no meu caso, e outros por opção, talvez por amizade.
Enfim, foi no ensino médio que também comecei a participar de algumas manifestações populares, principalmente na luta pela gratuidade no transporte público. Comecei a entender algumas coisas sobre mobilidade urbana, sobre educação, saúde e ai por diante acho que não parei mais de me interessar pelo tema.

E foi neste momento que fiz a escolha mais idiota da minha vida, cursar jornalismo. Não vou culpar meus pais, ao contrário, eles me avisaram para não cursar jornalismo. Quer dizer, minha mãe me avisou, durante este tempo eu estava sem falar com meu pai. Eles haviam se separado há alguns anos e, já que sou um idiota rancoroso, resolvi ficar sem falar com ele. Enfim, aqui em casa nunca foi me explicado direito o que era um vestibular ou uma universidade federal. Eu não tinha muitas referências do que estudar para passar em um vestibular, ou de como funciona o ensino superior. Então me apeguei ao que estava mais perto, prestei vestibular para uma faculdade particular e me senti a pessoa mais feliz do mundo por ingressar em um curso onde eu poderia “ajudar o mundo”.

Poderia? Durante dois anos trabalhei como auxiliar de almoxarife em uma fábrica de parafusos. Isso foi logo depois de sair do curso técnico/ensino médio. Neste meio tempo entrei na faculdade. Fiquei um ano trabalhando em uma fábrica e estudando jornalismo. Há, esqueci, neste meio tempo eu noivei. É, engraçado né? Poisé, eu namorei uma menina durante uns três anos e noivei. Fiquei um ano noivo e, no final do primeiro ano de faculdade, terminamos. Foi o primeiro de muitos choques sentimentais que ainda viriam pela frente.

Enfim, os sentimentos renderão outro texto, esta aqui é só uma reflexão básica sobre uma vida desastrada, ou parte dela. 

Durante os quatro anos de faculdade fui uma pessoa muito feliz. Continuei minha aprendizagem sobre o mundo. Tive ótimos professores e inúmeros debates preciosos. Fui “presidente” de diretório acadêmico, DCE e atlética, embora não goste deste termo, “presidente”. Minhas ideologias políticas sempre caminharam mais ao lado do extremo parlamentarismo e do anarquismo. Sou a favor de uma sociedade sem hierarquias, por isso tentei trabalhar desta formas dentro dos movimentos em que autuei. Participei de congressos, tanto da UCE como da UNE. Conheci ainda mais a movimentação estudantil nacional. Gostei da experiência e fiquei amargo com as coisas que presenciei. Percebi o quanto o movimento estudantil está impregnado do “fazer política” segregado e corrupto que envolve nossos setores públicos. 

Acho que este foi o início do declínio dos meus ideais. Fiz estágios pela faculdade e consegui uma vaga em um estágio de um jornal local. Trabalhei muito e me dediquei, para sair do jornal e conseguir uma vaga em outro veículo impresso, em Jaraguá do Sul. Então, comecei a perceber a realidade das redações e da profissão em si. Comecei a ver que para ser um bom profissional você precisa abaixar a cabeça e dizer sim para tudo, assim como em qualquer outro ramo. 

Passei um tempo no jornal de Jaraguá e voltei para Joinville. Cheguei a trabalhar em uma vaga temporária no jornal impresso em que fiz estágio, mas fui demitido, sem saber o motivo concreto até hoje. Talvez tenha sido uma matéria em que falei da Frente da Luta pelo Transporte Coletivo e sua permissão jurídica para fazer protestos dentro do terminal. 

De lá até agora, não consegui mais empregos fixos. Com o dinheiro da rescisão comprei uma câmera e comecei a trabalhar com fotografia. Consegui alguns freelancers, no festival de dança, em casas noturnas, com bandas, entre outros. Passei a participar mais ativamente do cenário cultural. Percebi o quanto eu não me enquadro em na rotina trabalhista “comum”. Foi então que imaginei abrir meu próprio “negócio”. Já formado, fiz outra grande besteira, entrei em uma pós-graduação em História da Arte. Como se já não bastasse ter gasto uns 18 mil reais com uma faculdade particular e ficar devendo 12 mil para a Caixa (FIES), resolvi fazer uma pós em uma Universidade particular. 

Enfim, comecei a estudar esta tal de “Economia Criativa” e tive a ideia de montar um Coletivo Cultural. A ideia seria trabalhar com a área cultural, oferecer serviços, ser transparente, cobrar só o que realmente representasse meu trabalho e profissionalizar o setor. Legal, né? Pois bem, é só legal mesmo, porque até agora posso contar nos dedos o quanto recebi pela iniciativa. O que eu queria, né? Trabalhar com cultura em uma cidade industrial, onde não existe um envolvimento coletivo verdadeiro em prol da cultura. Além do coletivo, resolvi montar um associação de bandas, para tentar lugar por outro nicho do qual faço parte. Ahh é, não contei, tento até hoje ser músico. Não consigo, por isso sou baterista. Estou até estudando na Escola de Música Villa Lobos, de Joinville, mas provavelmente não vou terminar o curso, porque preciso de um emprego e o primeiro que aparecer fará com que eu tenha que largar o curso, que ocorre de manhã.

Enfim, estou tentando há um ano tocar o coletivo.  Às vezes aparecerem coisas legais e até reconhecimentos pelo meu serviço, mas a verdade é que as contas estão batendo na minha porta. Minha mãe faz o que pode para me ajudar, administrando a pensão que está prestes a ser cortada. O FIES precisa ser pago, e a pós, bom a pós que resolvi fazer talvez tenha que ser trancada. 

Semanalmente mando currículos e faço entrevistas, mas parece que ninguém tá muito interessado em dar trabalho à um cara tatuado, com piercings e que pensa socialmente. Aliás, em uma das entrevistas para o jornal impresso local do qual comentei, um editor perguntou: “Marcus, seu perfil é um pouco mais comunitário do que o comum, você não acha que isso poderia ser algum problema para o nosso perfil?”. É, talvez eu seja um pouco mais comunitário que o comum.

Também sou um pouco mais radical que o comum, sou um pouco mais sentimental que o comum, sou um pouco mais extremista que o comum e tenho um pouco menos de paciência do que o comum.
Nos últimos três anos, com o término da faculdade, com meu ingresso ao mercado de trabalho e com a turbulência de outros relacionamentos, a única coisa que percebi é que sou um total fracasso. Bla, bla, bla. Eu sei que existem pessoas em situações muito piores do que a minha, mas isso não muda o fato de que a “sorte” não gosta muito de mim. 

Eu realmente tento me organizar. Tento não pensar negativamente, mas este não é meu forte. Talvez eu devesse estar estudando inglês ao invés de estar aqui lamentando a vida. Talvez eu devesse estar escrevendo o roteiro de um filme, gravando um bom vídeo, aprendendo a tocar violão, mas não consigo. Acho que este é o meu momento “acomodado”. Talvez este seja o maior mal da sociedade, o comodismo. E eu sou um ser humano como qualquer outro, sou cômodo sim. Até tenho vontade de pegar esta câmera, sair pelo mundo, fazer fotos incríveis, mas não consigo sair desta cidade. Tem algumas coisas que me prendem aqui ainda. Acho que sou um grande covarde. A covardia gera um tipo de conforto, vocês não acham?

Sou um covarde, desempregado, prestes a jogar fora todo o conhecimento obtido na faculdade de jornalismo e na pós-graduação para entrar em qualquer emprego que pague minhas futuras contas. Não é vergonhoso trabalhar em algo simples, não mesmo. Fui peão de fábrica e eu era muito feliz. Só fico triste em ter gasto tanto tempo investindo em algo que não pode ser aproveitado. Sabem por quê? Por que não há espaço no marcado para jornalistas realmente críticos. Não há espaço para profissionais que desejem mudar a sociedade da qual participam. O jornalista é um dos seres mais revolucionários que existe, ou pelo menos deveria ser, mas os que conseguem emprego são aqueles ótimos subordinados, com o “sim” na ponta da língua. 

Enfim, não sei o que fazer, mas queria repartir um pouco disso com você. Caso tenha gasto tempo lendo este texto, é sinal de que talvez você se importe, ou pelo menos tenha interesse em minha vida. Então obrigado por isso. 

Bom, atualmente, tenho uma Associação de Bandas para tocar, uma chapa para Associação de Moradores para formar, um Coletivo Cultural para estruturar, empregos para me candidatar, uma pós-graduação para concluir e um mestrado para tentar. Tenho mais algumas desilusões amorosas pela frente, algumas festas para participar, algumas bandas para me divertir, alguns vídeos para fazer, milhões de projetos para dar errado, outros para me animarem. 

Tenho uma vida pela frente, mas preciso de algum sinal, entendem, algo que me motive, porque a situação está complicada. Sou ateu, então não vou pedir para que deus me aponte um caminho. No entanto, tenho torcido muito nos últimos dias para que minha vida tome um rumo, para que as coisas que faço certo deem algum resultado e para que todas as outras que fiz errado sejam consertadas. 

Tenho que ser perdoado por muita gente, tenho que perdoar algumas pessoas. Tenho que aprender a amar quem me ama e lutar por uma coisa de cada vez. Preciso de força e ajuda, você quer me ajudar? Aceito ajuda de qualquer pessoa, a qualquer hora. 

Se não puder ajudar, senta e chora comigo, que já será um bom começo.
Amo você. Amo vocês.  

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A festa que não aconteceu

“Responsáveis pela homenagem aos Destaques Culturais de 2012 liberam entrada de manifestantes e festa termina com debate sobre o setor cultural”

Esta poderia ser uma gravata nos jornais ou portais de hoje, não é? Poderia….

Presenciei falas e reações dos dois lados, dentro e fora da Liga. O que posso resumir é o seguinte: Todos que foram votados ou escolhidos possuem seus méritos, seja na lista “popular” ou na “homenagem formal”. De um lado, gente com muita razão em reclamar e, do outro, pessoas de parabéns por iniciarem alguma atividade deste gênero no setor cultural.

Cultura na rua

O grande problema disso tudo foi a falta de transparência e planejamento na organização da enquete/evento. A Internet pode ser um tiro no pé se não for bem utilizada. Na minha opinião, ainda é necessário achar um meio mais democrático e eficaz para promover este tipo de homenagem, se ela realmente for necessária. Algo que não leve em consideração a opinião de jornalistas, algo que envolva diretamente quem aprecia e frequenta estas manifestações artísticas.

Mesmo que fossem os 20 mais votados pela Internet, será que este número de votos significaria realmente a visão da população que aprecia a arte? Pedir voto para sua atividade cultural não é algo que, necessariamente, reflete a adesão do público eleitor ao setor cultural. No entanto, estes foram os termos apresentados para a enquete, então as pessoas que buscaram votos e não entraram na lista estão com toda razão em reclamar.

Fiquei pensando, será que não existiram outros modos de exibir a opinião popular? Talvez se houvesse uma lista, com categorias, por exemplo, em que todos os grupos de teatros interessados em participar do Destaque Cultural se inscrevessem para ganhar fichas numeradas (para evitar fraudes), e estas fichas seriam entregues ao público, presente nas peças apresentadas no decorrer do ano. Desta forma, o público que REALMENTE aprecia a tal manifestação artística poderia dar uma nota ou algo do gênero. Não sei ao certo, este é só um exemplo, que funciona em outras cidades.

Mas, para algo deste porte funcionar, precisaríamos de uma eficiente Gestão Cultural, algo que ainda não temos. Se você ligar para a Fundação Cultural e perguntar quantos grupos de teatro temos na cidade, quantas bandas existem, quantos artísticas plásticos estão em atividade, certamente não haverá uma informação centralizada, e esta ainda é a nossa maior dificuldade. Tudo é desenvolvido de forma individual nesta cidade e quando vemos uma simples enquete tomando as proporções que tomou, é sinal de que o assunto está caindo de maduro.

O setor público “fez sua parte”, quando notou a oportunidade de aparecer tratou de apoiar o evento. Apoio que, na visão de muitos, culminou em homenagens como a do “30º Festival de Dança de Joinville”. Em geral, o problema virou uma bola de neve, e a organização do evento perdeu a chance de “entrar para a história” ao não liberar a entrada para os manifestantes. Digo liberar totalmente mesmo, para todos participarem de uma grande festa e debate, não colocando um ou dois representantes do movimento para apresentarem suas críticas ao final das homenagens, como um favor.

Enfim, se eu tiver que escolher um lado no debate, escolheria o lado dos artistas que estavam na rua, justamente por entender e concordar com as críticas. Compreendo também o lado da organização do evento, que fui prejudicada até por jornalistas da própria cidade que divulgaram informações distorcidas sobre os métodos de votação.

Pelo menos a comunidade está debatendo o assunto e, embora ainda houvesse um monte de pangaré sem saber o que a galera da rua reivindicava, acredito que o recado foi dado na noite de ontem. Parabéns aos artistas votados, aos artistas homenageados e, principalmente, ao debate promovido, que espero que não morra aqui.


Clique aqui para ler a postagem original, com comentários e debate dos amigos no Facebook.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Céu negro



Céu negro
Eu não procuro um paraíso
Muito menos um céu azul
Quero mesmo os vendavais
Quero que as nuvens lhe carregue

Um céu negro, nutrido pelo ódio
Quero que você perca o seu controle
Controle
Que que você perca seu controle.

Que as nuvens também produzam granizos
E que as pedras atinjam sua cabeça
Caia, deite, durma e não acorde.
Me vingarei através das águas
dos ventos e dos trovões.

E quanto você menos esperar
Estará sem controle
Controle
Que você perca o seu controle

21


21

Até 12 meses esperando a garoa
A terra, o homem e a luta
Venha sol, venha chuva
Já não estou mais isolado
Fui um Hércules, fui canudos
Fui inimigo da república

Meu drama agora é todo
Sou lodo, sou morno
Sou mais um no meio do povo
Preciso voltar e esbravejar
Dar razão a Euclides
Ser a base da nação
Voltar à solidão

Aqui não tenho bandeira
Vivo ordem, sou progresso
E agora a chuva...
Oh luta, tanta água
Deixa eu levar, só um pouco
Pro meu irmão e pro meu povo.

para a banda Nhanduti