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sábado, 4 de agosto de 2012

A trufa divina

Um homem quis me vender uma trufa na rua, até ai tudo bem. Ao parar para ouvir o que ele tinha a dizer, presenciei uma metralhadora de palavras como "casa de recuperação", "deus", "instituição de caridade" e bla bla bla.

Fui educado e deixei ele falar primeiro, mas, depois, expliquei que não colaboro com instituições religiosas. Foi ai que ele olhou sério para mim, engrossou o tom da voz e disse: "Espero que ele (deuz) tenha misericórdia de você. Quem sabe você não está em pé ou vivo só porque ele ainda deixa?".

"Isso foi uma ameaça?", tive vontade de perguntar, mas não perguntei. Então o homem começou a falar mais alto, como se eu merecesse alguma punição por não querer comprar as trufas: "Uma hora ele vai tocar no seu coração e você verá o quanto está errado, com todo este teu orgulho. Que deuz tenha piedade de você!"

"Boa sorte para ele", respondi, para encerrar o papo que não chegaria a lugar nenhum. O homem totalmente inconformado continuou falando mais algumas coisas que nem ouvi direito.

Ora essa, tenho o direito de não contribuir com instituições religiosas, não tenho? E o pior, eu esperava que esta pessoa tivesse, pelo menos, bons argumentos para fazer com que eu colaborasse, ou com que eu mudasse minha forma de pensar.

Responder minha negação com uma ameaça "em nome de deuz" não é uma boa forma de mostrar como as religiões merecem contribuições por serviços sociais. É nestas horas que eu penso que a única coisa que a tal "casa de recuperação" fez foi trocar um tipo de droga por outra.




3 comentários:

Marcio Rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcio Rocha disse...

O amor cristão é lindo!

marcus disse...

Como já diziam os filósofos DI CAMARGO, Luciano & José.

"É o Amor,
Que mexe com minha cabeça
E me deixa assim;"

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