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domingo, 5 de agosto de 2012

A linha tênue entre o Black Metal e o neonazismo

Ilustração do Google.


Sempre refleti sobre a linha tênue que existe entre o Black metal e o neonazismo, mas nunca parei para transcrever isso. Então resolvi perder alguns minutos deste final de domingo para fazê-lo.

Conceitos básicos

Para quem não sabe, black metal (vertente do heavy metal, assim como o death metal) é aquele estilo em que as pessoas pintam as caras, raspam o cabelo (geralmente) e abordam temas como violência, satanismo e paganismo em suas letras. Muitas vezes também incorporam ideologias nórdicas ou, até mesmo, neonazistas.

Certo, assim como qualquer outra vertente do metal, o black metal sofre alguns preconceitos, por carregar em seu som o peso da música extrema,  ou dos vocais guturais. Vocais guturais que surgiram lá entre os anos 60 e 70, a partir de experimentos de bandas como King Crimson, Black Sabbath e Pink Floyd, em músicas como 21st Century Schizoid Man, Iron Man e One of These Days, respectivamente.

Certo, vamos ao cenário:

Desde que comecei a frequentar a cena do metal percebi as inúmeras vertentes e estilos do meio. Não por acaso, os shows de black metal sempre me garantiram uma certa repulsa, não pela música em si, mas pelo tipo de gente que o frequenta. Como baterista, eu admiro a velocidade com a qual a caixa clara e o chimbal são utilizados neste estilo, por exemplo. Não é fácil tocar metal extremo, sem dúvida. Mas porque a música agressiva precisa estar intimamente ligada à intolerância religiosa ou étnica?

Simples. Por mediocridade. Vou explicar:

O Black Metal, como estilo, surgiu do álbum Black Metal, da banda inglesa Venom. De lá pra cá, muitos estereótipos foram sendo aglutinados ao estilo com a intenção de agradar determinados públicos, fãs, gravadoras, ou seja lá o que for. Por exemplo, o famoso corpse paint (pintura no rosto), foi fixado no estilo por bandas como King Diamond e Sarcófago (por volta da década de 80), no entanto, os primeiros a utilizarem a pintura no rosto em palco foram os roqueiros brasileiros do Secos & Molhados, no começo dos anos 70.

Não sou um grande conhecedor do cenário, por isso posso cometer alguns erros etnográficos, mas o que quero ressaltar aqui é a incoerência de uma determinada parcela de fãs de black metal rotularem o gênero como um local de apologia nazista. A afeição pelo Nacional Socialismo (subgênero político oriundo do nazismo) não é “privilégio” só do black metal. Muitas bandas de hardcore (ou hatecore) também fazem estas apologias.

A explicação sociológica para isso é de que os jovens que levantaram o movimento neonazista, muitas vezes, foram pessoas sem perspectivas de vida, trabalho e educação, como observa o professor Eduardo de Freitas, da Equipe Brasil Escola. Sem esta perspectiva, os jovens procuram “dispositivos de sociabilidade” (como define Michel Maffesoli) para se engajarem em um determinado grupo. Este dispositivo pode ser a música, as drogas, e até as torcidas de futebol.  Desta forma, em algum destes grupos é impregnada a ideia de que os problemas sociais atuais são decorrentes dos imigrantes (negros, latinos, turcos, poloneses etc.). Notem que não faço aqui da origem do partido nazista, pois este seria um tema que alimentaria outra reflexão/artigo, pressuponho que as pessoas já conheçam esta história.

Desta forma entendemos porque a ideologia neonazista se dispersou por países como os Estados Unidos (ler mais no link http://pt.wikipedia.org/wiki/Supremacia_branca).  Neste País, as minorias culturais (como os negros e latinos) sempre foram apontadas como as causas da criminalidade e desemprego. Agora pensem comigo, este é um País alimentado pela guerra, e conduzido pelo sentimento de medo. Não é necessário ser um grande teórico para notar, assim como Michel Moore, que a população branca norte-americana se tornou facilmente manipulada pelas organizações políticas, empresarias (principalmente no setor bélico), comunicacionais e religiosas.  

É necessário citar isso para explicar porque grupos como o White Power e Ku Klux Klan surgiram na América do Norte. Assim como estes grupos, a ramificação anti-semitas da supremacia branca também se estendeu para países como a Inglaterra, onde surgiram os Skinheads nazistas, por exemplo.  Também há outros grupos como a comunidade Stormfront, que conta com políticos/ativistas como Don Black,que alimentam a “causa”.

Bom, dada uma análise histórica básica do movimento neonazista, podemos voltar ao cenário do black metal.

Infelizmente, é normal vermos pessoas fazendo a saudação nazista em shows de black metal, ou falando e reforçando seus ideias preconceituosos dentro do cenário. Certo, já me perguntaram: “mas se você se incomoda com os neonazistas, porque você frequenta estes shows”? A reposta é simples, porque nem todo o black metal é nazista. Temos a banda Profecium, da Argentina, por exemplo, que alimenta um gênero que pode ser denominado como Black Metal Anarquista/Comunista, que surgiu através de temas como o estudo da luta de classes.  Fora isso, o black metal, assim como qualquer outro gênero do metal extremo possui como base a proposta artística da crítica severa ao sistema no qual estamos inseridos

Certo, então se temos o black metal nazista e comunista/anarquista? Qual é a diferença entre eles? A intelectualidade presente no seu processo de criação!  

O cenário em SC.

Como é citado por Nando Araujo, no artigo “Nazismo Musical: a morte da criatividade”, as letras nazistas não são inovadores em nenhum aspecto, representam apenas uma determinada “eficiência” dos profissionais ligados ao partido nazista lá na 2ª Guerra. Ou seja, os conceitos reproduzidos pelo black metal neonazista são ideiais ultrapassados que permearam a música de alguma forma através destes “jovens sem perspectiva” ou destas lideranças políticas e econômicas que ainda visam os negros e pobres como  responsáveis pelos problemas da nossa sociedade.

Ao contrário do “nazismo musical”, as propostas artísticas que elegem a luta de classe como tema buscam a inovação e a própria revolução em suas intervenções, por isso até o “anarquismo” presente no black metal da banda Profecium, por exemplo, apresenta um caráter muito mais criativo do que qualquer gênero musical apoiado nas ideias do partido nazista alemão. E esta inovação garante aos gêneros “revolucionários” uma complexibilidade muito maior no seu processo de produção, justamente, por estes artistas lidarem com a multiplicidade cultural presente em nossa sociedade, coisa que as frentes neonazistas não fazem e muito menos aceitam.

O perfil do fã de black metal nazista geralmente é composto por jovens altamente vulneráveis politicamente, que não possuem empregos complexos, ou que não possuem o hábito da leitura, muito menos o hábito de debate e verdadeira inclusão política-social. Ou seja, a falta de educação que leva o jovem catarinense ao cenário black metal neonazista é a mesma falta de educação que leva o jovem carioca que mora em comunidades carentes à vida do crime.

Em Santa Catarina, o modelo educacional conservador garante a perpetuação de alguns destes pensamentos retrógados. Digo isso a partir dos autores que estou lendo para fazer este artigo, mas também a partir da experiência que tenho de dentro do cenário.  

Conheci muitas pessoas que simpatizam com esta “causa neonazista” porque seus parentes fizeram parte do partido nazista na Alemanha, ou porque sua família carrega traços da política conservadora típica de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Então, o black metal neonazista, assim como as torcidas de futebol, acabam se tornando um meio de extravazar estas políticas e “faltas de oportunidade” que estes jovens não conseguem canalizar por outros meios.  A intolerância se transforma em uma característica deste meio, pelo simples fato de ser muito mais fácil falar mal, bater e gritar do que debater um assunto.  É muito mais fácil ser xenofóbico e fazer uma letra de música baseada em algo que se ouviu ou leu de relance, do que estudar a complexibilidade da sociedade em qual estamos inseridos.

Neste sentido, o black metal neonazista é uma boa alternativa para estas pessoas manipuláveis se manifestarem.  Por isso eu citei anteriormente que a razão da presença neonazista na música é um reflexo da mediocridade. Mediocridade no sentido da pessoa ser mediana, rasa, fechada para a multiplicidade educacional que até a Internet favorece (ou seja, falta vontade de estudar). E isto é um reflexo de algumas políticas públicas ineficientes, produzidas desde que o mundo é mundo. Políticas conservadoras que possuem seus “auges”, como nas ditaduras.  Vale lembrar, que os pais destes estilos musicais influenciados pelo “Nacional Socialismo” são filhos da ditadura militar.

O que também acontece com o black metal neonazista é uma distorção de alguns conceitos, como o as criticas aos símbolos religiosos, ou da apologia às atmosferas sombrias que começaram a ser abordadas lá nos anos 80 pelas bandas norueguesas. Movimentos antirreligiosos como o "Inner Circle" tomaram dimensões radicais dentro do cenário anticristão, por exemplo. A crítica profunda à religião e a própria violência conduzida pelas frequentes guerras na Europa sofreram distorções (voluntariamente ou involuntariamente) e se tornaram simples copias dos modelos nacionais socialistas firmados na Alemanha. Por exemplo, no início dos anos 70, bandas de metal extremo da Noruega, Suécia (e outros países) levantaram a bandeira da guerra às religiões como resposta aos ataques históricos do cristianismo às culturas locais.  

Até a proposta teatral do “corpse paint” e dos “pseudônimos satânicos/obscuros” presentes nas primeiras bandas que fizeram parte do cenário foram distorcidas por pessoas que não entenderam a proposta. Bandas como o Immortal referiam-se à pintura como uma maneira de lembrar a pintura de “guerra”, ou a aparência do ser humano no estado de decomposição. Já os pseudônimos foram adotados por bandas como o Venom, para fazer referência à herança das tribos guerreiras que utilizavam pseudônimos para amedrontar as tribos inimigas.

Toda esta violência crítica “positiva” tem sido assimilada de maneira superficial por esta massa de fãs notoriamente manipuláveis.

Ou seja, o black metal em si é um estilo musical como qualquer outro, com um puta potencial crítico. O problema é que, assim como em qualquer nicho da sociedade, o cenário conta com a presença de pessoas imaturas politicamente que são conduzidas por interesses políticos e econômicos de um sistema notoriamente desigual (ou de um pai e avô neonazista). A falta de acesso à educação e a presença forte destas políticas conservadoras em Santa Catarina fazem com que o black metal neonazista seja apenas um reflexo deste sistema autoritário que pode ser implantando até mesmo em uma escola, como demonstra o filme “A Onda”, de Dennis Gansel.

Toda esta minha reflexão é uma tentativa de defender o black metal como expressão artística e não estilo musical neonazista. Digo isso, porque gosto de música extrema e fico chateado em ter que frequentar lugares com pseudoneonazistas. Pseudo, porque já vi muitas pessoas deste cenário (principalmente os homens) namorando mulheres negras, ouvindo samba ou até indo à igreja. Ou seja, este lance de ser neonazista é balela, mas os estereótipos que estas pessoas acarretam para o cenário é algo preocupante, que vale a reflexão acima.

Obs.1: Eu poderia citar uma lista enorme de bandas de black metal neonazistas, seja de Joinville, Santa Catarina, Brasil ou exterior. Entretanto, isso seria divulgar o trabalho destes indivíduos, por isso eu prefiro não citar. 

Obs.2: Existem muitas bandas boas e conscientes deste fardo que o black metal carrega como esteriótipo. Nem todos os integrantes do cenário, assim como nem todas as bandas, fazem esta apologia. Até acredito que, na atualidade, a quantidade de bandas neonacionalistas está diminuindo. 

Obs.3: Quem sabe que banda “X” é neonazista, mas usa a desculpa que gosta da música e não dá bola para as letras é uma pessoa com pensamento “centrista”, ou seja, mesmo que não queria, acaba tomando uma “posição” no debate, que é a posição de divulgar/financiar o trabalho de ativistas “neonazistas”.  

*Todas as fontes estão incorporadas no próprio texto.


Contribuição importante de leitores e amigos:

1) De acordo com um dos anônimos, Arthur Brown também é citado como um dos pioneiros do corpse paint (http://www.youtube.com/watch?v=uFZZofMa_Ng)

2) O filme "Antifa - Caçadores de Skins" explica bem como a música se tornou uma representação de ideais  e como as gangues de extrema direita e extrema esquerda atuaram (e ainda atuam) na França desde os anos 60. Sem saber, meu artigo acabou virando uma "continuação" do filme, já que nele é debatido os primeiros estilos musicais que absorveram estes ideais de extrema direita. Filme disponível no link: http://www.youtube.com/watch?v=CRKymsEuD1M

15 comentários:

Anônimo disse...

Nada a ver, tu realmente não entende bolhufas, generalizou um monte...

Secos e molhados????????????????????????????????????????????????????????????????????

Uma grande piada! Desculpa mas como sociólogo tu foi um desastre!

Anônimo disse...

Achei os argumentos sociológicos muito superficiais. A relação entre um tema e outro não é tão simples assim.
E o primeiro uso de corpse paint foi de Chris Brown (http://www.youtube.com/watch?v=uFZZofMa_Ng), nos anos 60, e não do Secos e Molhados.

Anônimo disse...

Caraca! É isso mesmo cara. Concordo.

Tiago F.

marcus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marcus disse...

As contribuições positivas eu utilizei para atualizar o post. E as não tão positivas eu usso pra repertório pessoal.... haha

Tipo, minha intenção não é ser um sociólogo aqui, não tenho formação para isso. É apenas uma reflexão em um blog pessoal, por este motivo pode ser algo superficial, até mesmo porque é um tema completo que rende muitos artigos.

Sobre o Secos e Molhados, eu pesquisei bastante e os autores que encontrei sempre citaram eles como os primeiros a utilizarem corpse paint e, inclusive, os próprios integrantes do Kiss já disseram que o mérito da pintura é do Secos e Molhados..

Mas claro, devem haver outras referências, gostei muito da citação ali do Arthur Brown, se souberem de outros, digam ae!

marcus disse...

Só pra deixar bem claro, quando eu falei "carecas" no texto foi no tom de brincadeira, porque faz parte do visual. Se não, daqui a pouco, o pessoal vai achar que eu tenho preconceito com quem tem calvice ou prefere o visual de cabelo raspado. hahahaha

Anônimo disse...

Achei muito forçado e tendencioso! Dizer que só porque tal banda é Anarquista/Comunista significa que tem nível intelectual maior e com mais criatividade é muito tendencioso, fica claro que esta é a preferência político/ideológica do autor (como se comunismo não tivesse sido também um regime assassino e segregacionista que matou milhões, até mais que o nazismo).
Eu não sou nazi, e muito menos comunista, quero distância destes regimes manipuladores de cérebros!

O texto dá a entender que na região temos este movimento, isto é bem fácil, pegar e falar da boca para fora. Eu vivo o movimento e não sei de nenhuma banda, pelo menos de Joinville, que seja nazi, há bandas que podem até ter temática sobre segunda guerra (bem diferente de palavras de ordem nazista de um estilo como o RAC por exemplo)... E que eu saiba os integrantes destas bandas são pessoas apolíticas!
Tome cuidado com estas suas declarações jogadas ao vento, pois neste país apologia ao nazismo é crime, e por causa da internet e má informações houveram pessoas nesta cidade que tiveram suas vidas escrutinadas pela polícia inclusive com depoimento na delegacia, pessoas que não têm nada a ver com a história e que quase foram para a cadeia por causa de "entendidos" de esquerda que divulgaram aos 4 ventos um simples show de splatter/Black metal como se fosse "show de Black Metal Nacional Socialista", foi parar até na Veja. Um grande mal entendido é claro! Prejudicaram pessoas de bem por nada!!! Pessoas boas que agora são fichadas por irresponsabilidade de alguns!

A sua conclusão na "obs. 3" fechou com chave de ouro o besteirol! Não sei a posição política ou ideológica do autor, mas dá para notar que é uma pessoa que tende para uma ideologia ditatorial, quer manipular indiretamente as pessoas! Como tu pode chegar uma conclusão tão contraditória, dizer que a pessoa que ouve NS Black Metal é "centrista" e que ao mesmo tempo ela está divulgando o estilo? Oras ou ela é "centrista" e ouve pra ela mesma na boa, ou ela é mais aberta e divulga o estilo... Quem é tu para dizer o que alguém vai ouvir? Isto pra mim é uma indireta para as pessoas ouvirem o que tu quer e não o que elas bem entendem!

Acho que tu deveria se informar mais, pesquisar mais, não pegar citações ou livros prontos! Ler notícias, mergulhar no movimento, ler coisas que tu não gosta (acredite isto abre a mente, refresca... ou tu achas que se ler "Mein Kampf" vais passar a ser nazista de uma hora para a outra? A não ser que sejas uma pessoa facilmente manipulável). Aprenda a ver a outro lado da moeda e aprenda com eles! Daí volte quem sabe daqui uns 5ou 10 anos, aí sim reescreva tudo isto, tu e todas as outras pessoas vão sentir a diferença em suas palavras, vão saber que tu realmente se aprofundou e que tem conhecimento de causa... Sinto muito mas neste momento não vejo isto neste texto! Apenas mais uma das milhares de matérias tendenciosas que vemos em blogs por aí no dia-dia!

Valeu!

Anônimo disse...

Aliás, vi um trecho de uma entrevista na revista "Terrorizer" de nada mais nada menos que Nocturnal Culto, o vocalista de uma das mais proeminentes bandas de Black Metal do mundo, bem conveniente o que ele fala sobre o Varg Vikernes (supostamente nazi), caiu como uma luva para a sua "obs.3"

"In the brand new issue of Terrorizer, celebrating 30 years of Metal Blade and running down 30 of their most important releases, we catch up with Darkthrone's Norcturno Culto and discuss politics, black metal and most of all, when we can expect a new Darkthrone record.

Speaking about last year's controversial Terrorizer coverstar Varg Vikernes, Nocturno says: "A German journalist once told me he was shocked and horrified that we even mentioned Burzum on our albums, as a recommendation or whatever it was. I was like, 'What the fuck? Is it not allowed to like music now? Is that what you're telling me?' This is fucking music. I don't care what he's like or what he does. I like his music and I have the right to like his music. And that's something I could draw my sword for; to defend my right to like music.""

http://www.terrorizer.com/blog1.php/2012/08/07/nocturno-culto-on-varg-vikernes

marcus disse...

Opa! Valeu pessoal pelas críticas.

Vou tentar explicar rapidamente alguns pontos. Quando fiz o texto não quis apoiar nenhum regime em sí. Concordo plenamente que o comunismo (como foi aplicado) conduz a população a ser fantoche assim como qualquer outro regime, sem dúvida. Mas não sou comunista, sou apartidário.

Mas acredito sim, que qualquer área artística que trabalhe sobre uma multiplicidade cultural é muito mais intelectual do que algo baseado em um NS, que condena esta multiplicidade. Por um fato simples, o de repertório de experiências, quanto maior a variedade, maior o repertório e maior a complexibilidade da arte, seja na música, na literatura, nas obras plásticas e por ai vai.

Longe de mim querer rotular o movimento Black MEtal. Acho que ele já está até muito rotulado. As minhas experiências citadas são de momentos em que frequentei o cenário e presenciei o fascimo velado que alguns fãs levam ao cenário. O cenário não é nazista, algumas pessoas de má índole é que são.

Sei bem que tem muita banda de splatter que é confundida com estes NS. E fico triste por isso, talvez eu devesse deixar mais claro no texto estas diferenças, porque realmente, quem não entende destes estilos vai entender pelo meu texto que todos os "carecas" que tocam "metal" extremo fazem apologia ao nazismo, e nem de longe é esta a minha intenção. Eu me refiro apenas às pessoas que conheci que possuem a suástica tatuada no peito, por exemplo, pessoas que frequentam shows como o River Rock, evento do qual tenho até fotos para registrar estes fãs. Na época eu mesmo não entendia muito bem o ideal destas pessoas, se eram mesmo ou não neonazistas e, com o tempo, percebi que, pelo menos estes dois personagens que moram em Pomerode são sim, infelizmente.

Sobre o "Centrista", eu me referi ao discurso que ouço muito do tipo "eu só ouço, compro os cds mais não apoio o NS". Ora, se vc financia o movimento, como não está apoiando este ideal NS? Foi neste sentido.

E não, não acho que ler o Mein Kampf faz de nós neonazistas, assim como tbm não acho que ler a bíblia faz das pessoas religiosas, ou ler o Capital faz das pessoas comunistas. É tudo repertório cultural, como citei anteriormente.

Em geral, o texto foi direcionado para pessoas que velam o preconceito. Claro que ninguém expõe claramente seus ideais de extrema-direita, eu também ficaria com um pé atrás de dizer quem é ou não neonazista na região.

Mas sempre há 3 ou 4 que ora estão na França, ora estão em comunidades tradicionais de SC que deixam escapar seus preconceitos, seja em festivais como o River Rock, em encontros do cenário do Balck Metal, ou em escritórios do PSD ou PMDB.

Não posso citar nomes, mas garanto a vocês que o texto não foi elaborado por algo que ouvi da boca pra fora.

Mas valeu pelas dicas, obrigado mesmo por ler o texto e dar seu parecer! Abraço

Anônimo disse...

OK, mas eu quis falar de Joinville, a cidade em si não tem bandas de NS Black Metal. Agora a região do Vale do Itajaí, bem daí não sei, pode ser mesmo. Mas Joinville, desconheço! Aqui há pessoas envolvidas, mas não são do meio Black Metal e sim de outras tribos e duvido que elas freqüentem shows.

Quanto a extrema direita e preconceito, bem eu acho que hoje em dia no Brasil é muito leviano afirmarmos que tal partido é de direita ou de esquerda, vejam o que o próprio PT (que era para ser de esquerda) fez, quem diria não é? Estas alianças nojentas da política! Me abstenho de tudo isto, quero total distância.

Cara o preconceito velado tu não vê só no Black Metal, é em todos os estilos e ambientes possíveis sem exceção, o preconceito é impregnado na cultura brasileira, e não falo só preconceito racial, falo de preconceito social, preconceito de tribos, preconceito de tudo quanto é tipo... Vemos preconceito até na Bahia onde a elite é branca e o resto da população é negra (ou seja, a grande maioria)... O Brasil é o país do impossível, aqui eu já vi Negro nazista, já vi cristão satanista, punk virar skinhead de extrema direita. Resumindo, é um caos tota.l Nossa sociedade como um todo é caótica e sem escrúpulos (talvez pela total falta de estudo mesmo, aqui vemos muitas pessoas idiotizadas pela "cultura" brasileira).

Por isto não me envolvo em nenhum tipo de lado partidário/ideológico, acho que posso me rotular como niilista... Tenho amigos em tudo quanto é lugar, e respeito todos eles até o momento que me venham enfiar goela abaixo algum tipo de ideologia, aí eu prefiro mudar de assunto ou até fechar o pau se insistir demais. E assim vou vivendo!

Falando em patrocinar o movimento, olha se estão patrocinando ou não, não importa, entende? Isto cabe a pessoa, ela sofrerá as conseqüências (ou não) sejam elas quais forem... Acho que a partir do momento que tu julga alguém desta forma por "patrocinar" acaba aguçando ainda mais a curiosidade das pessoas... O Nazismo e temas de segunda guerra geram fascínio, sempre haverá gente disposta a adquirir material assim, sempre! Não adianta lutar contra, tu tem liberdade para criticar, tudo bem, mas estas pessoas tem liberdade de ouvirem o que querem também... Se financiam? Não importa, se elas querem não sou eu que vou ditar a vida delas e repreendê-las! E não deixarei de ser amigo de alguém que compra estes materiais, jamais! Chega de preconceito cultural, tudo é permitido dentro de um CD de música e dos livros! esta é minha visão!

marcus disse...

Certo, mas assim, se a pessoa patrocina, ela está automaticamente atingindo a vida de terceiros, você entende? Se o fato dela escutar ou curtir se resumir ao ambiente dela, não tem problema nenhum, mas a partir do momento que o comprometimento dela atinge o objetivo destas bandas de extrema direita, ela está ampliando o impacto da música além do seu quarto, então eu concordo com vc, não faz mal, desde que ela não atinha outras pessoas, "a tua liberdade vai até aonde começa a do próximo".

Sobre a definição de direita e esquerda, concordo plenamente, o PT mesmo tem rachas internos, hoje há direta e esquerda dentro do próprio PT, para ter noção da coisa. O que não significa que não haja alguns movimentos com definições bem claras. O fato da direita e esquerda hoje se reflete em políticas públicas que apoiam, ou não, a iniciativa privada. Em toda SC temos alguns movimentos totalmente conservadores, no sul inteiro temos um movimento totalmente "regionalista", que se aproxima muito mais da extrema direita do que do debate global do socialismo, no sentido de socializar a cultura e os bens naturais da terra, por exemplo.

Sim, em Joinville eu conheço pessoas, e nas outras cidades eu conheço bandas. Você tem razão, no post eu deveria ter deixado mais claro isso, para as pessoas não acharem que AS BANDAS da cidade são neonazistas.

Mas, infelizmente, estas pessoas frequentam os shows sim, e nem precisam estar com coturno de cadarço branco, ou camiseta do White Power (o que também acontece com uma grande frequência). A coisa é mais sutil, mas, as vezes, para não prejudicar o cenário, fazemos vista grossa, com medo das retaliações, e não só no black metal, fazemos isso em todos os cenários e em diversos setores da sociedade.

Nisso você tem razão tbm, acho que compartilhamos o mesmo pensamento, por isso eu expliquei no texto que os problemas sociais que levam o cara jovem a cultuar o neonazismo são os mesmos problemas sociais que levam a pessoa carente da favela ao mundo do crime. São mundos diferentes conduzidos pelos mesmos problemas globais que giram em torno de políticas públicas, seja na educação, saúde, transporte...

Mas para fazer o texto precisei fazer um recorte, era um assunto interesse, então se vc ver minhas outras publicações, verá que critico outras coisas, desde a nomeação de ruas e cidades (como Florianópolis) até a venda de trufas para igrejas evangélicas. O debate é bem mais amplo sim, por isso eu acho que ele não se resume só a este post, vou fazer outros textos do gênero, e espero que vocês participem destas outras publicações tbm!

Por fim, esta é só minha visão também! hahaha
A possibilidade de eu estar enganado sobre muitas coisas é muito mais do que o contrário. Afinal, tenho só 23 anos e só agora tenho tempo para estudar e escrever coisas fora da academia. Então eu preciso sim de muitas críticas para formar um blog bacana e ampliar meu repertório!

valeu pela contribuição!

Anônimo disse...

tenho uma pergunta: alguem ai ja viu alguma pessoa negra ou morena com corpse paint?,pq eu nunca vi e não sei porque u.u

marcus disse...

eu já vi, em alguns festivais aqui da região

DEADHAMMER DEMOGORGON disse...

é fato que existe uma ligação do black metal com o nazismo, isso pode ser explicado porque tambem existe uma ligação do satanismo e do luciferianismo com o nazismo, atraves de alguns tipos de gnosticismo

eu ouço black metal desde 2002, mas nos ultimos anos meio que mudei meu direcionamento ideologico, de uns anos pra cá me tornei misantropo e tive acesso a filosofia pessimista de schopenhauer e blogs masculinistas e tambem ao escritor nessehan alita. nessahan alita foi uma profunda influencia no meu pensamento, e ele mesmo dizia que é impossível encontrar felicidade na mulher, apenas em si mesmo, ele é um gnostico cristão. sendo a idéia de encontrar realização em si mesmo e não no prazer sexual, uma idéia altamente cristã, eu tive que de uma certa forma, me afastar do black metal. desde 2002 que sou um death metaller tambem e tenho forte influencia do death metal na minha música, nos ultimos anos eu me aprofundei bastante no death metal tambem, e eu não considero o death metal como sendo um estilo satanista, uma vez que existem bandas niilistas dentro do estilo.

porem eu li um comentario interessante aqui mesmo nesse blog, sobre o nocturnal culto gostar de burzum e não dar a mínima pro que o varg pensa. o nocturno culto pensa na música em primeiro lugar, desprezando ideologias, o fenriz pensa igual, e essa é a mentalidade do darkthrone, justamente pelo darkthrone ser focado 100% na música que torna a música deles tão extraordinaria e criativa. e eu mesmo não sendo nazista sou capaz de apreciar a demo DRUNEMETON do GRAVELAND, banda nazista que sempre abri uma exceção pra ouvir essa demo. então vou ver por esse lado do nocturno culto, vou pensar como ele pensa, a música vem em primeiro lugar. aprecio bandas como BELKETRE, BLACK MURDER, BLACK MAJESTY(NORWAY), BRENORITVRERZORKRE, e foco apenas na minha misantropia, não faço questão de fazer parte de uma cena underrgruond, nem sequer vou em shows mais. sou multi instrumentista porem não faço questão de fazer parte de uma cena, faço música apenas pra quem se interessar ou pra mim . nocturno culto ta certo, me fez rever certos conceitos, eu tinha um pé atras com o BURZUM desde 2005, porem não consigo deixar de apreciar o clima misantropico de um album como FILOSOFEM por exemplo, eu prefiro esquecer a idéia do varg e focar apenas na minha própria visão do que esse album representa pra mim, é uma música altamente instrospectiva e totamente anti-rockstar, eu realmente odeio rock 'n roll comum e odeio shows, vida social, drogas etc em vez disso prefiro isolamento, pessimismo e bandas de metal extremo que passam uma atmosfera de pessimismo e misantropia.

margeam war tost war disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkk olha quanta asneiras junta kkkkkkkk

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