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terça-feira, 26 de abril de 2011

O jornalista herói

Nesta última segunda-feira, na aula de jornalismo comunitário, notei como o nosso núcleo acadêmico adora se referir aos problemas da mídia em terceira pessoa. Sempre citamos os grandes grupos, ou mesmo, os especiais comunitários como "eles". Esquecemos que somos nós, os próprios profissionais, mesmo que focas ou mestres, que mantemos o sistema trabalhista destas redes.

Um certo aspecto narcisista corre na veia da maioria dos jornalistas que atuam no ramo. Não nos consideramos trabalhadores e, muito menos, estabelecemos uma preocupação de nos organizar como tal. É, no mínimo, irônico debater o futuro da sociedade brasileira sem, ao menos, conhecer e intervir em nossas próprias determinações trabalhistas.

Não estou pedindo para que façamos uma revolução proletária dentro da área, no mérito simplista de uma cartilha marxista. Estou indagando estes profissionais e colegas de trabalho sobre a hipocrisia que ronda nosso ramo. Ora, como vamos relatar e denunciar os problemas de nossas comunidades se não conseguimos garantir as ferramentas necessárias para isso.

Seja uma estrutura de qualidade para exercer a função, a liberdade de criar pautas e, consequentemente, do seu desenvolvimento e publicação, ou mesmo lecionar: garantias básicas para o jornalista não ser chapa branca.

Este ciclo vicioso do esteriópipo heróico que permeia a área jornalista toma conta, não só da sociedade de massa, mas, também, das nossas redações, assim como diz Noblat: "Médico acha que é Deus. Jornalista tem certeza!". Por isso pergunto: quantos de vocês, jornalistas, conhecem os representantes do sindicato, da federação? Quantos de vocês já debateram os assuntos referentes aos representantes de nosso nicho?


Mudança?

Vamos começar pelas nossas próprias bases, então.

domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a falta de participação

Às vezes, percebo que, em um determinado grupo, muitas pessoas guardam um grande rancor daqueles que tentam mudar o ambiente em que vivem. Falta mais cumplicidade nas atitudes coletivas, tanto em movimentos, como nos ambientes trabalhistas.

Seja qual for o nicho, uma boa ideia, elaborada por um integrante deveria ser analisada pelo grupo, debatida e colocada em prática, pelo mesmo grupo, não somente pelo idealizador. Até mesmo, porque depois do compartilhamento, a proposta pode ser adequada de uma melhor forma.

A análise aqui está meio subjetiva, né? Pois bem, o que quero dizer é que as pessoas criticam mais, e fazem de menos, quando a ideia não surge da suas próprias cabeças. Também sou assim. Quando tenho alguma sacada, não vejo os pontos negativos de primeira. Por isso, a importância do grupo.

Infelizmente, quando o grupo opta por retrair seus críticas (não participando da prática, ao menos) este "idealizador" tende a deselvolver a proposta de forma individual, fazendo com que todo o ciclo da não-participação vire um inferno.

Quero dizer que, quando elaboro alguma proposta, pretendo desenvolvê-la, obviamente, mas quando o grupo não participa do processo, utilizo apenas as minhas referências. Quando a iniciativa se aplica, recuso-me a aceitar críticas de pessoas que não participaram do projeto.

Penso mais ou menos assim: "Ninguém quis ajudar, eu fiz, agora não aceito críticas", infelizmente.

Reconheço que o processo é bem mais amplo. Que as pessoas deixam de participar dos debates não por serem preguiçosas, mas por fazerem parte de um sistema que não valoriza o debate intenso sobre as atividades do relacionamento humano.

Também compreendo que a minha ânsia por ver projetos concluídos faz parte de uma cultura imediatista, da qual também faço parte.